Por: Beatriz M. de Albuquerque
Ao assistir Iron Man 3, para quem ainda não teve o prazer, afaste-se de todo e qualquer geek, nerd, dweeb, dork ou 'whatever' que esteja ao seu redor. Com urgência. No caso de se enquadrar, mesmo que só um pouquinho em algum dos perfis acima mencionados, recomendo que deixe esse filme para lá ou que se desapegue de todo passado publicado em nome de um tal Homem de Ferro...
Resumidamente, o filme foi uma espécie de adaptação¹ que ignorou totalmente os fãs de Iron Man, anteriores a sua estréia cinematográfica em 2008. Mas sabemos que os números não mentem e o filme agradou muito. Agradou a 'manada' de fãs que não estava nem ai para a suposta história do Homem de Ferro, porque nunca a conheceram. Fãs de Iron Man de 2008 para cá, são maioria e como tal, ganharam um filme muito interessante e divertido, porque isso é um blockbuster ('for Christ`s sake!' rs). Não é um filme voltado para o público leitor de quadrinhos, até porque, mesmo esse público insatisfeito lotou as bilheterias! A indústria cinematográfica ganhou mais uma vez :-/ Então os 'adaptation haters' e 'reboot haters' irão continuar a reclamar mas o que importa no final das contas são os números. Isso não vai mudar assim.
Fato que, depois de horas ouvindo reclamações e a história de Iron Man, basicamente do berço até hoje, percebi o quanto realmente foi frustrante. Mas vi, tentando ser imparcial, tudo isso como um grande universo paralelo. Wolverine não pode ter desejos homossexuais no universo paralelo? Então porque o universo paralelo cinematográfico não pode fazer as coisas da maneira que optar? É difícil agradar a gregos e troianos.
Vamos falar sobre os pontos positivos: Um herói como sempre hilário, menos arrogante, mais próximo de uma pessoa "normal", cuja interpretação de Robert Downey Jr. estava mais uma vez fantástica (ele sabe disso e está dificultando, $$$$, pro lado da indústria).
Principalmente, uma história sobre um perigo que no final das contas estava nos EUA o tempo todo. Sobre os soldados mutilados (lembram das teorias após o atentado na maratona em Boston? - http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/as-teorias-conspiratorias-sobre-o-atentado-de-boston), sobre as experiências governamentais, sobre o que está por trás das guerras americanas, sobre dilemas éticos na ciência, sobre um inimigo que deixa de ser uma caricatura racista (chega de vilões clichês chineses!) para ser uma alfinetada muito bem dada ao próprio governo. Mesmo assim, mostrando o inimigo ao lado do símbolo maior de poder americano, mantiveram o patriotismo comum a quase todo herói de quadrinhos estadunidense.
Merece aplausos.
Afinal, desabafo que se não fosse um interesse pelo filme, nunca teria lido os quadrinhos e imagino quantas pessoas não seguiram também a ordem inversa em tantas adaptações por ai...
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Mutilados de guerra - Otto Dix, 1920 |
Afinal, desabafo que se não fosse um interesse pelo filme, nunca teria lido os quadrinhos e imagino quantas pessoas não seguiram também a ordem inversa em tantas adaptações por ai...
"O termo reinicialização sobre os conceitos de ficção refere-se a um reboot ou relançamento de uma história com uma inflexão da série, não necessariamente seguir a continuidade anterior, mas mantendo apenas os elementos mais importantes, que são considerados o melhor ou mais funcional para começar tudo novamente, desde o inicio."²

Para mais sobre a polêmica reboot ou não reboot acesse o site: http://www.bewilderingstories.com/issue344/reboot1.html
Notas:
¹ http://pt.wikipedia.org/wiki/Adapta%C3%A7%C3%A3o_f%C3%ADlmica
² http://pt.wikipedia.org/wiki/Reboot_(fic%C3%A7%C3%A3o)
² http://pt.wikipedia.org/wiki/Reboot_(fic%C3%A7%C3%A3o)
³ Texto do site "racebending.com - Media consumers for entertainment equality" (http://www.racebending.com/v4/featured/marvel-mandarin-marginalization/)