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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O castelo nos alpes da Baviera por trás de "Caçadores de Obras-Primas"


As críticas não param de "popar" pela internet e a falta de uma unanimidade dizendo; "Não vale a pena!", mantinham constante meu estado de indecisão-assistir-ou-não.

Mas graças ao ótimo artigo publicado no dia 8 deste mês pelo "The Daily Best" fui convencida. O filme "The Monuments Men", em português "Caçadores de Obras-Primas", conta a história real, baseada no livro de Robert M. Edsel, do resgate de obras de arte saqueadas pelos nazistas para um futuro museu do Hitler.


Essas obras ficavam em um castelo (Neuschwanstein) que parece saído - e de fato serviu de base - de algum filme da Disney

Incontáveis obras de arte (na verdade contáveis rs.. algo entorno de 5 milhões) foram resgatadas e voltaram à "vida" após 12 anos do pior momento vivido na história da arte. Gostaria de ressaltar que Hitler não gostava de todos os artistas, aquilo que não o interessava, que não fosse uma masterpiece para seus padrões, queimava, assim como seus adorados masterpieces em caso de invasão inimiga. (Ufa..) O real grupo dos Monuments Men chegou a contar com o trabalho de 345 homens e mulheres de 13 países, salvando da fogueira ou de um futuro de exclusão cultural ainda pior, aquilo que hoje podemos desfrutar por diversos veículos.

Esse fantástico castelo, como era de se esperar, esconde muitas histórias e mistérios. O Rei "louco" Ludwig II após 20 anos de reformas finalmente consegue se mudar pro complexo gigantesco mas lá permanece feliz por apenas 2 anos, como dito em cartas ao seu amigo, o compositor Wagner. Inspirado nas óperas wagnerianas e na Idade Média o castelo vira sua casa por este ínfimo tempo pois declarado louco fora deposto. Dois dias depois o psiquiatra que o avaliara e o próprio rei são encontrados mortos em um lago. Vítimas de "suicídio" como foi dito a época. Desde então, passando por dramáticos períodos, o castelo esteve aberto a visitações. 70 anos após o início do resgate de mais de 21.000 itens de colecionador, o castelo volta a ser estrela digna de ser relembrada. 


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Programação Alemã no CINECLUBE Baukurs

Em 14 de setembro, próximo sábado, para aqueles que não estarão no Rock in Rio, a Barra da Tijuca ainda terá algo de atrativo que irá certamente acrescentar mais à sua bagagem cultural do que muitos shows por ai..  E pra quem não puder ir até a Barra, Botafogo também estará recebendo os cinéfilos. O curso Baukurs de alemão está com uma programação cultural ótima, mostrando o que a Alemanha tem de melhor no meio cinematográfico. O cineclube Baukurs exibirá 15 sessões distribuídas nas duas filiais: onze em Botafogo (uma por semana) e quatro na Barra da Tijuca (uma por mês). A partir do dia 14, aos sábados, serão exibidos filmes de diretores alemães como Wim Wenders, Uli Edel, Tom Tykwer e Rainer Werner Fassbinder.

Contra a Parede será exibido às 19 horas. Após o filme haverá um bate-papo com palestrante convidado e em seguida será servido um pequeno coquetel. Entrada franca, sendo 30 vagas sujeitas a reserva, antecipadamente, por telefone (2530-4847) ou e-mail (secretaria.bkc@baukurs.com.br) e a reserva só é válida até as 19h30. Baukurs Barra está localizado na Avenida das Américas, 3555 Shopping Barra Square | Bloco B / Cobertura 301.

Sobre o filme: A jovem muçulmana Sibel tenta suicídio e é internada em uma clínica de recuperação. Lá ela conhece o turco Cahit. Eles decidem se casar apenas para que Sibel escape de sua família conservadora. Ela tem uma vida sexual independente, mas Cahit acaba se apaixonando. Por causa de ciúmes, ele mata um dos amantes de Sibel e é preso. Depois de cumprir a sentença, Cahit reencontra Sibel.

Elenco: Birol Ünel, Sibel Kekilli e Catrin Striebeck
Direção: Fatih Akın      
Duração: 121 minutos (Alemanha e Turquia - 2004) 

"Seguindo o mote  Quando ideias se encontram, que pauta os eventos da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, haverá um palestrante convidado em cada exibição."
14/09 – Barra e Botafogo: Contra a Parede (Gegen die Wand), de Fatih Akin
21/09 – Botafogo: Fausto (Faust), de Aleksandr Sokurov
28/09 – Botafogo: The Harmonists (Comedian Harmonists), de Joseph Vilsmaier 
05/10 – Barra:  Corra Lola, Corra (Lola rennt), de Tom Tykwer
05/10 – Botafogo:  Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída (Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), de Uli Edel
19/10 – Botafogo:  Pina (Pina), de Wim Wenders
26/10 – Botafogo:  Lições de Um Sonho (Der ganz große Traum), de Sebastian Grobler
09/11 – Barra e Botafogo: Tão Longe, Tão Perto (In weiter Ferne, so nah!), de Wim Wenders
23/11 – Botafogo: Mephisto (Mephisto), de István Szabó
30/11 – Botafogo: Um Amor de Swann (Eine Liebe von Swann), de Volker Schlöndorff
07/12 – Barra: Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída (Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), de Uli Edel
07/12 – Botafogo: O Medo Devora a Alma (Angst Essen Seele Auf), de Rainer Werner Fassbinder
14/12 – Botafogo: A Ponte da Desilusão (Die Brücke), de Bernhard Wicki"




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Parabéns Shyamalan, que Will Smith não te ligue nesta data!

por: Beatriz M. de Albuquerque

Ontem o diretor M. Night Shyamalan fez 43 anos!

Famoso por seus filmes sobrenaturais com toques únicos contemporâneos, Shyamalan é um indiano-americano que atuou na indústria cinematográfica como diretor, roteirista e produtor. Filmes inesquecíveis como “O Sexto Sentido” com Bruce Willis (1999), “Sinais” (2002) e o polêmico “A Vila” (2004) mostraram ao mundo seu estilo, sua assinatura.

O diretor tem uma queda por roteiros com toques sombrios e foi na faculdade em Nova Iorque que Manoj Shyamalan adotou o nome artístico M. Night (Noite) Shyamalan. Conhecido também por usar “reviravoltas” em seus filmes, recentemente viveu uma reviravolta em seus projetos. Segundo entrevista ao repórter indiano Kanchan Thakur, foi em seu aniversário que Shyamalan recebeu o convite para dirigir o fracasso de bilheteria “Depois da Terra” (2013).

“Depois da Terra”, que também é estrelado pelo filho adolescente de Will, Jaden Smith, foi um projeto fruto de muita vaidade, concebido pelo ator e produzido por ele, sua esposa e cunhado. Receita pra dar errado.
“Era meu aniversário e Will Smith me ligou para desejar felicidades. O filme foi seu conceito e ele queria muito que eu o dirigisse. Fiquei impressionado com todo o script e foi assim que "Depois da Terra” nasceu. 

Quando me disse que iria querer seu filho, Jaden, participando, eu fiquei mais intrigado em tentar fazê-los parecer realmente conectados na tela. Eu tive um grande momento ao trabalhar com eles e todos se sentiram como uma família. Nós já estávamos planejando trabalhar em um filme, mas nunca funcionou.”
E dessa vez.. também não deu muito certo.

Enfim, PARABÉNS Shyamalan pelos SEUS projetos e pelo seu aniversário!



Atuou como diretor em:

Wayward Pines (TV series) (pre-production
– Episode One (2014)





2004 A Vila 

2002 Sinais 



1998 Olhos Abertos 


(fonte: imdb.com)


sábado, 3 de agosto de 2013

"Agora, Inês é morta!"... Agora e Sempre...

por: Beatriz M. de Albuquerque

Vejo uma geração que não aceita mais a expressão "agora é tarde". Parece que o comodismo daqueles que alegam que não há mais volta, foi balançado com todas essas passeatas, apesar da resposta pífia do governo. Vejo um grupo que diz, sim votaram/votamos errado, mas não vamos abaixar a cabeça! Desculpe o transtorno: Estamos mudando o país. 

Hoje não vou me perder em questões políticas e análises sociais, apesar de ser um papo bom e que rende muito. Já lemos todos os dias sobre o nosso país acordando e saindo, enfim, da "inércia". Enfim...!! "Agora, Inês é morta!", não é mais a melhor expressão pra tentar enterrar essa "geração zumbi" que saiu dos lugares menos esperados aterrorizando o sistema e expondo as entranhas mais nojentas dessa política corrupta.

Hoje quero falar sobre um outro governo, sobre um outro país, em outra época. Onde uma 'chará', Beatriz, condessa de Albuquerque viveu, reinou e deu a luz a um D. Pedro I vingativo em 1320, (exatamente um dia após o meu aniversário rs..) no dia 8 de Abril, em Portugal (ariano arretaaado!). Foi por conta desse camarada que a expressão "Agora, Inês é morta!" surgiu.

A história desse casal é complicada, dramática, bem novela mexicana misturada com Game of Thrones, mas vamos lá... afinal casamentos arranjados, assassinatos e cargos disputados no Brasil de hoje não faltam!

Super Resumão baseado em pesquisa rápida pela web:

- Pedro é conhecido pela sua relação com Inês de Castro, a aia galega (vulgo empreguete chique) da sua esposa de sangue real, Constança, com quem casara por conveniência aos 19 anos. Este romance notório começou a ser comentado e mal aceito, tanto pela corte como pelo povoAssim, em 1344, o rei mandou exilar D. Inês no castelo de Albuquerque.
- Um ano depois sua esposa Constança morre e D. Pedro, contra a vontade do pai, mandou D. Inês regressar do exílio e os dois passaram a viver juntos, o que provocou mais escândalo (não tinha Globo na época.. e mesmo assim). Tiveram os filhos Afonso, Dinis, João e Beatriz (mais uma rs..).
- Na tentativa de saber a verdade sobre um suposto casamento secreto de Pedro e Inês, o Rei ordenou a dois conselheiros seus que dissessem a D. Pedro que ele podia se casar livremente se assim o pretendesse. Pedro (malaaandro) percebeu que se tratava de uma cilada e respondeu que não pensava casar-se nunca com D.ª Inês.
- Inês acabou sendo assassinada na frente de seus filhos por ordens do rei em 1355, com 30 anos, enquanto Pedro estava fora caçando. O rei queria abafar a questão e forçá-lo a casar-se com alguém da nobreza. Mas isso não trouxe Pedro de volta à influência paterna (claro! :/). 
- Entre 1355 e sua ascensão à coroa, Pedro revoltou-se contra o pai pelo menos duas vezes, e nunca lhe perdoou o assassinato de Inês. Aguardou o momento oportuno porque sua hora iria chegar. Aclamado rei dois anos depois, Pedro anunciou em junho de 1360, o casamento com Inês, realizado em segredo antes da sua morte, sendo sua intenção a ver lembrada como Rainha de Portugal.
- Dois assassinos de Inês foram capturados e executados (Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves) com uma brutalidade que rendeu a Pedro seus apelidos (a um foi arrancado o coração pelo peito, e a outro pelas costas, enquanto Pedro jantava). 
Enquanto suplicavam Pedro disse: "Agora é tarde, Inês é morta".


Fato curioso, mas sem provas concretas, são os relatos posteriores ao séc XVI que contam que D. Pedro desenterrou sua amada e obrigou os nobres a procederem à cerimônia do beija-mão real ao cadáver, sob pena de morte! ("vai ter que beijaaar!")
Ordenou a construção de dois túmulos (verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal), os quais foram colocados no Mosteiro de Alcobaça para que, no dia do Juízo Final, os eternos amantes, então ressuscitados, de imediato se vejam...
Contra a influência papal ;] (rs.. tá vendo) foi ele que promulgou o famoso Beneplácito Régio, que impedia a livre circulação de documentos eclesiásticos no país sem a sua autorização expressa.
Foi justo na defesa das camadas menos favorecidas da população. D. Pedro reinou durante dez anos, sendo tão popular ao ponto da população dizer:
"que taes dez annos nunca ouve em Portugal como estes que reinara el Rei Dom Pedro".


Pois é isso ai.. Mesmo com Inês morta, Pedro continuou a lutar por ela e pelo país.
Acomodados.. ACORDEM!













sábado, 20 de julho de 2013

Jogando: Ultimate Marvel vs Capcom 3

por: Beatriz M. de Albuquerque

Com fãs viciados pelo mundo todo e inimigos igualmente aptos no que diz respeito a games, Ultimate Marvel vs Capcom 3 é para quem não conhece, um jogo de luta onde em cada partida o jogador escolhe três personagens dos universos Marvel ou Capcom para controlar, contra a equipe adversária. A diferença básica do UMvC 3 para o Marvel vs Capcom 3, lançados em 2011, é a conta bancária da Capcom, que ganhou muito dinheiro vendendo ambos para os fãs.


Agora sério, a diferença é que existem no Ultimate Marvel vs Capcom 3 mais 12 personagens exclusivos e o Galactus passa a poder ser escolhido para os combates no modo offline. Para quem não gosta de jogos ultra rápidos, sem boas histórias ou missões interessantes, esse não será o jogo mais jogado, mas ainda sim, não menospreze o UMvC3! Fica a dica de que para ser bom nesse jogo não basta apertar todos os botões descontroladamente, COM CERTEZA. Esse game é um dos poucos a integrar as listas de competições das mais séries, como a Evo Championship Series. E foi por conta desse fato que passei a valorizar o estilo de jogo e seus fiéis jogadores.

É um jogo para quem realmente consegue interagir com um enxurrada de informações, cores, combos e personagens extras popando na tela. Isso dá muito trabalho e requer uma concentração absurda. Rápido, rápido e mais rápido e com combos interessantes este game é apesar das críticas acima obrigação nas prateleiras de quem curte jogar com os amigos ou quem sabe, virar um competidor profissional.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não.. esse não é o Harry Potter..

por: Beatriz M. de Albuquerque

Fãs de Harry Potter se espantariam e adorariam conhecer um jovem inglês de óculos com aro arredondado, cabelos curtos castanhos, que em um momento conturbado de sua adolescência, se sentindo deslocado de todos a sua volta, acaba sendo atraído a um universo secreto mágico.


Esse é Timothy Hunter, que em uma noite no subúrbio de sua cidade é abordado por homens estranhos e sombrios que perguntavam: "Você acredita em magia?". Assim começa a história de Tim, o menino destinado a ser o maior mago do mundo. Considerado informalmente o irmão mais velho de Harry Potter, devido a criação de sua mini-série por Neil Gaiman, dividida em quatro histórias em quadrinhos, 10 anos antes da publicação do primeiro livro da saga de J.K. Rowling, Tim é ensaio de um tema que tinha tudo para ganhar as telas e fazer muito sucesso.

Tornar-se um blockbuster, não foi o futuro de Tim, mas Potter conquistou o mundo, adultos e crianças e preencheu um espaço no imaginário coletivo onde a magia, o poder e a vitória sempre daqueles que fazem o bem, não perdem sua importância. É atemporal, e a idéia de uma revira-volta fantásica na vida de muitos reflete os anseios de viver em um cotidiano muito pragmático e menos mágico.

domingo, 7 de julho de 2013

Top 10 novelas mais vendidas para o exterior

por: Beatriz M. de Albuquerque

No top 10 de novelas brasileiras mais vendidas para o exterior, super-produções como "Terra Nostra", "O Clone" e "Caminho das Índias" não são surpresa para o público brasileiro que demonstrou com a  grande audiência o quanto valiam. As temáticas com base nas interelações Brasil-Mundo apontam que a miscigenação brasileira faz parte do imaginário popular e que aqui é bem-vinda. Conhecido como um país solidário e receptivo, esta produção televisiva, por ser tão exportada, é indicativo de uma aceitação e receptividade considerável também vinda do público internacional.



A atuação de grandes nomes, que por vezes se repetiram no elenco de outras novelas, caracteriza mais um ponto a favor dessa exportação. Os rostos conhecidos como os de Glória Pires, Regina Duarte, Reynaldo Gianecchini , Giovanna Antonelli entre outros, criam um vínculo, uma identificação com o telespectador, facilitando essa aceitação. Uma figura famosa é automaticamente assimilada e começa a fazer parte de um novo imaginário popular. Ganha prestígio internacional e se valoriza, ainda mais, entre seus conterrâneos. 

Novelas criativas como "Vamp", com a atuação brilhante de Ney Latorraca, "Que Rei sou Eu?", "Rainha da Socata" e "Roque Santeiro" também marcaram a história da Tv brasileira, porém não estouraram no exterior tanto quanto mereciam. Talvez pelo conteúdo menos miscigenado. Porém, cabe lembrar que uma brasileirinha típica desbancou as demais  neste top 10 em exportações, "Da Cor do Pecado" ficou em primeiro lugar até...... "Avenida Brasil", atual primeira colocada.






segunda-feira, 10 de junho de 2013

Censura + Radioatividade + Choque de Realidade = Uranium Film Festival 2013 aplaudido de pé!

por: Beatriz M. de Albuquerque

O resultado do festival de cinema "Urânio em MoviEmento" de 2013 foi um turbilhão de emoções  e debates levantados pelos filmes, pelo público questionador, pelas entrevistas e pelo fechamento incrível, com lágrimas, samba e caipirinha na noite da premiação. Surpreendentemente o ´Oscar Amarelo` por longametragem de ficção, foi para uma comédia romântica "Atomic Ivan", primeiro filme do famoso diretor de ópera russo Vasiliy Barkhatov e primeira vez que as agências nucleares russas abriram suas portas à sétima arte.


Os primeiros estavam em alta e o diretor de "Alta Voltagem" levou o Oscar Amarelo pelo melhor curtametragem documentário. Pradeep Indulkar foi um engenheiro indiano que trabalhou durante 12 anos para o programa nuclear da Índia, se aventurou na direção de seu primeiro filme levantando uma grande polêmica relativa a primeira usina nuclear da Índia. Em entrevista coletiva após a première, o questionei a respeito da receptividade do tema em seu país de origem.
- Censura - 

O filme não foi exibido e provavelmente não será. Deixou claro na entrevista que a usina funciona perfeitamente e que isso não impediu em nada os transtornos quanto à saúde e economia dos que vivem nas proximidades. Uma vila inteira foi desalojada e o governo, mesmo dando mil garantias, não as cumpriu.  Pradeep apresentou ao público o pescador, um dos personagens do documentário, queria mostrar ao mundo que pessoas honestas e simples estavam sofrendo consequências terríveis para que uma maioria vivesse esbanjando eletricidade em suas casas. Quem paga o mais alto preço pela energia são estes rostos injustiçados, doentes, famintos e desconhecidos.

Outro filme que também sofreu uma forma de censura foi o nacional, "Caetité, sofrimento cinzento" de Laura Pires. Na sexta-feira, dia 24 de maio às 15 horas, estávamos contando com a première, ao invés disso, a diretora avisou aos presentes que o filme não poderia ser exibido por questões legais. Evidente que além de pedirmos uma palhinha sobre o filme perguntamos o que havia acontecido. Tudo indica que a principal fonte, um funcionário da empresa de mineração de urânio, está sendo ameaçada, perseguida e processada por conta das declarações reveladoras feitas para o documentário. Mais uma vez "nossa amiga" - Censura - visitou o festival.

Por essas e inúmeras outras esse festival mereceu ser aplaudido de pé. Muitos grupos de estudantes lotaram  as sessões e tiveram seu primeiro contato com a realidade radioativa, próxima e perigosa do planeta onde vivem. À exceção do curta "Lixo Nuclear" que definitivamente não deveria ter uma censura de 10 anos mostrando cenas de sexo e nudez para o público de jovens adolescentes, entusiasmadíssimos, aplaudindo por outras razões, a - Censura - só serviu para atiçar a curiosidade daqueles que lutam pela liberdade de expressão e torcem para que esse material seja amplamente divulgado.

Portanto, DIVULGUEM! 

Os seis premiados:
  • Categoria Longametragem Ficção:
    A comédia romântica 'Atomic Ivan'. Rússia, 2012, 91 min, Direção Vasily Barkhatov, Produção Executiva, Viktoria Gromik, Telesto Film.
  • Categoria Curtametragem Ficção:
    A comédia 'Curiosity Kills' (A Curiosidade Mata). Estônia, 2012, 14 min, Direção Sander Maran.
  • Categoria Longametragem Documentário:
    'Nuclear Savage: The Islands of Secret Project 4.1' (Selvagem Nuclear: As ilhas do Projeto Secreto 4.1). EUA, 2012, 87 min, Direção Jonas Adam Horowitz.
  • Categoria Curtametragem Documentário:
    'High Power' (Alta Voltagem). Índia, 2013, 27 min, Direção Pradeep Indulkar.
  • Categoria Filme de Animação:
    'Abita'. Alemanha, 2012, 4 min, Direção Shoko Hara & Paul Brenner.
  • Categoria Estudantil:
    'No to Nuclear Jordan' (Jordânia sem Nuclear). Jordânia, 2012, 7 min, Direção Solenne Tadros.
Além do Oscar Amarelo, o festival também conferiu menções honrosas: 'Polvere di Guerra. Uranio a Beirut' (Guerra em Pó. Urânio em Bierute), Itália, 2007, Direção Flaviano Masella, Angelo Saso e Maurizio Torrealta. 'Children of Uranium' (Crianças do Urânio), Romênia, 2009, 64 min, Direção Adina Popescu. 'Friedlich in die Katastrophe' (Silenciosamente para o Desastre), Alemanha, 2012, 120 min, Direção Marcin El. 'Nuclear Waste' (Lixo Nuclear), Ucrânia, 2012, 25 min, Direção Myroslav Slaboshpytskiy. 'Unter Kontrolle' (Sob Controle), Alemanha, 2011, 98 min, Direção Volker Sattel. 'Der Bauch von Tokio' (Estômago de Tóquio), Alemanha, 2013, 70 min, Direção Reinhild Dettmer-Finke. 'Hibakusha', EUA, 2012, 54 min, Direção Steve Nguyen & Choz Belen. 'Hiroshima Nagaski Download', México/Japão, 2010, 73 min, Direção Shinpei Takeda. 'Last Flower' (A Última Flor), Irã, 2013, 6 min, Direção Sima Baghery. "Cesium Iblodet" (Tem Césio no Meu Sangue), Brasil/Suécia, 2009, 70 min, Direção Lars Westman.




URANIUM FILM FESTIVAL Rio de Janeiro 2013 trailer

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Aos que odeiam adaptações: Só mais um pouquinho de Iron Man?

Por: Beatriz M. de Albuquerque

Ao assistir Iron Man 3, para quem ainda não teve o prazer, afaste-se de todo e qualquer geek, nerd, dweeb, dork ou 'whatever' que esteja ao seu redor. Com urgência. No caso de se enquadrar, mesmo que só um pouquinho em algum dos perfis acima mencionados, recomendo que deixe esse filme para lá ou que se desapegue de todo passado publicado em nome de um tal Homem de Ferro... 

Resumidamente, o filme foi uma espécie de adaptação¹ que ignorou totalmente os fãs de Iron Man, anteriores a sua estréia cinematográfica em 2008. Mas sabemos que os números não mentem e o filme agradou muito. Agradou a 'manada' de fãs que não estava nem ai para a suposta história do Homem de Ferro, porque nunca a conheceram. Fãs de Iron Man de 2008 para cá, são maioria e como tal, ganharam um filme muito interessante e divertido, porque isso é um blockbuster ('for Christ`s sake!' rs). Não é um filme voltado para o público leitor de quadrinhos, até porque, mesmo esse público insatisfeito lotou as bilheterias! A indústria cinematográfica ganhou mais uma vez :-/ Então os 'adaptation haters' e 'reboot haters' irão continuar a reclamar mas o que importa no final das contas são os números. Isso não vai mudar assim.

Fato que, depois de horas ouvindo reclamações e a história de Iron Man, basicamente do berço até hoje, percebi o quanto realmente foi frustrante. Mas vi, tentando ser imparcial, tudo isso como um grande universo paralelo. Wolverine não pode ter desejos homossexuais no universo paralelo? Então porque o universo paralelo cinematográfico não pode fazer as coisas da maneira que optar? É difícil agradar a gregos e troianos.

Vamos falar sobre os pontos positivos: Um herói como sempre hilário, menos arrogante, mais próximo de uma pessoa "normal", cuja interpretação de Robert Downey Jr. estava mais uma vez fantástica (ele sabe disso e está dificultando, $$$$, pro lado da indústria).

Principalmente, uma história sobre um perigo que no final das contas estava nos EUA o tempo todo. Sobre os soldados mutilados (lembram das teorias após o atentado na maratona em Boston? - http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/as-teorias-conspiratorias-sobre-o-atentado-de-boston), sobre as experiências governamentais, sobre o que está por trás das guerras americanas, sobre dilemas éticos na ciência, sobre um inimigo que deixa de ser uma caricatura racista (chega de vilões clichês chineses!) para ser uma alfinetada muito bem dada ao próprio governo. Mesmo assim, mostrando o inimigo ao lado do símbolo maior de poder americano, mantiveram o patriotismo comum a quase todo herói de quadrinhos estadunidense.

Mutilados de guerra - Otto Dix, 1920
Merece aplausos.

Afinal, desabafo que se não fosse um interesse pelo filme, nunca teria lido os quadrinhos e imagino quantas pessoas não seguiram também a ordem inversa em tantas adaptações por ai...

"O termo reinicialização sobre os conceitos de ficção refere-se a um reboot ou relançamento de uma história com uma inflexão da série, não necessariamente seguir a continuidade anterior, mas mantendo apenas os elementos mais importantes, que são considerados o melhor ou mais funcional para começar tudo novamente, desde o inicio."²


“There are certain fears and certain strengths the character evokes that are applicable, but of course you have to completely remove any of that short sighted cultural ignorance that leads to any sort of bigotry in the storytelling. That isn’t to say those fears and shortcomings of Iron Man as relating to that character aren’t relevant…He was based in China which was then mysterious because it was Red China. Today China is mysterious in other ways because it’s Global China.”Jon Favreau, director of Iron Man and Iron Man 2 to CHUD in 2006 ³

Para mais sobre a polêmica reboot ou não reboot acesse o site: http://www.bewilderingstories.com/issue344/reboot1.html

Notas:

³ Texto do site "racebending.com - Media consumers for entertainment equality" (http://www.racebending.com/v4/featured/marvel-mandarin-marginalization/)



domingo, 5 de maio de 2013

URANIUM FILM FESTIVAL 2013

por: Beatriz Albuquerque


Em tempos de ameaças internacionais nucleares o Rio apresenta mais uma vez o carioca, autêntico de Santa Tereza, “Uranium Film Festival” de 16 a 26 de maio. Em sua terceira edição, o festival internacional de filmes sobre energia nuclear pretende continuar estimulando novas produções independentes, informando sobre as consequências da radiotividade e difundindo a mensagem “Somente quando se conhece o perigo pode preveni-lo”.
Com mostras itinerantes de sucesso em Berlim, Lisboa, Porto e em grandes cidades na Índia e Brasil, o “Uranium Film Festival” ou “Urânio em Movi(e)mento” está com vários projetos previstos. Marcia Gomes de Oliveira, fundadora e diretora executiva divulgou que já existem convites para outros destinos como EUA mas que primeiro realizarão a 3ª edição do festival aqui no Rio.
A première do filme dirigido por Kazunori Kurimoto, “Terra proibida, Fukushima”, será a primeira das 9 estréias mundiais, com sessão às 17h na quinta dia 16 deste mês. São 52 películas de 20 países, entre documentários, animações e filmes de arte-experimental.

O acidente ocorrido em Goiânia no ano de 1987, com Césio-137, que fez vítimas fatais por conta de um aparelho de radioterapia dentro de uma clínica abandonada, é um lembrete do quão próximo todos estamos desse perigo e o quanto somos desinformados. Foram expostas ao efeito do césio, 112.800 pessoas.


Então vamos ao festival! Em seguida uma seleção comentada do imperdível neste evento.
Domingo dia 26 de maio às 15:30 os fundadores da Associação Hibakusha Brasil pela Paz estarão fechando com chave de ouro o último dia de festival. Formada pelos sobreviventes das bombas atômicas residentes no Brasil a associação divulga o filme "O Sino de Angelus" expondo aos brasileiros a covardia das bombas.
Para obter a programação completa consulte o site http://www.uraniumfilmfestival.org.


Fechando a semana, a animação “Parque de diversões brilhantes” conta em seus 10 min. uma aventura por um mundo encantador que esconde muitos segredos, os quais podem levar a catástrofes horríveis, sua première acontece no segundo dia de evento, sexta dia 17 às 15 h.
Sábado (18) às 15 horas, “Casa de Repouso Atômica” fará sua première mundial. Dirigido por Katsumi Sakaguchi o longa registrou a vida cotidiana em uma casa de repouso para sobreviventes do bombardeio em Nagasaki.
Domingo dia 19 haverá a première da ficção futurista dirigida por Cole Larsen, “Urânio - Dupla felicidade” às 15 horas.
A première mundial do brasileiro “Caetité, sofrimento cinzento” dirigido por Laura Pires e Aléxis Góis terá exibição na quinta (23) e sexta (24), às 15 horas. Aproveitando o dia de evento super construtivo, destaca-se a sessão às 18:30 com o filme “Iraque: As crianças sacrificadas de Falluja”. Esse filme trata das consequências de uma polêmica batalha onde os civis e as convenções de armas das Nações Unidas foram totalmente ignoradas. Recordando outra notícia, a batalha também foi usada como temática para a criação de “Six days in Fallujah”, um jogo de guerra que pretendia ser super realista usando os militares sobreviventes como fonte para sua criação. A empresa Atomic Games foi contratada antes da batalha para elaborar um jogo que servisse de treinamento para os marines. O batalhão em questão foi enviado para a segunda batalha de Falluja e ao retornarem, em conjunto com a empresa, começaram o projeto do game. Devido ao conteúdo polêmico e a pressão do governo e envolvidos, o jogo nunca foi lançado.
Quarta (22) é vez da première do longa alemão “Estômago de Tóquio” às 17 horas e do curta sobre as crianças que não podem ter uma vida normal em Fukushima, chamado “Abita. Crianças de Fukushima”.
Na quinta (23) e sábado (25) às 15 horas será a première mundial do curta indiano “Alta Voltagem” e o filme suéco-brasileiro “Tem césio no meu sangue” estará nas telas às 17 horas do sábado.

"O festival não só mostra filmes sobre a problemática de gerar energia nuclear e mineração de urânio que é o combustível das usinas e bombas nucleares. O festival também estimula a discussão neutra sobre este assunto em toda a sociedade, trabalhadores, estudantes, donas de casa, jornalistas, cineastas, artistas, sindicalistas. Por que todos nós somos afetados com os acidentes de Chernobyl, Goiânia e Fukushima. E também porque todos nós pagamos por isso, em nossa conta de luz e impostos", explica o diretor geral do festival e jornalista alemão Norbert G. Suchanek.
INFORMAÇÕES:

3º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear - Uranium Film Festival
De 16 a 26 de maio de 2013
Local: Auditório da Cinemateca do Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro
Avenida Infante Dom Henrique 85 - Parque do Flamengo
Ingressos Cinemateca
R$ 6,00 Inteira \ R$ 3,00 Maiores de 60 anos e estudantes
Classificação Indicativa: consulte a programação.
Como chegar
Referência: O Museu de Arte Moderna está localizado entre o Monumento aos Pracinhas e o Aeroporto Santos Dumont
Ônibus (linhas e pontos)
Da Zona Sul
Via Parque do Flamengo: 472 (Leme), 438 (Leblon), 154 (Ipanema), 401 (Flamengo), 422 (Cosme Velho). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Via Aterro: 121, 125 e 127 (Copacabana). Ponto na Avenida Presidente Antônio Carlos em frente ao Consulado da França.
Da Zona Norte
422 (Tijuca), 472 (São Cristóvão), 438 (Vila Isabel), 401 (Rio Comprido). Ponto na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras.
Da Zona Oeste
Frescão Taquara-Castelo (via Zona Sul). Ponto mais próximo localiza-se na Avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras. 309 (Central). Ponto na Avenida Beira Mar em frente à passarela.
Metrô: Estação Cinelândia
Estacionamento: Pago no local 7h - 22h
Acesso a deficientes: O MAM dispõe de duas cadeiras de rodas, rampas de acesso, elevadores e sanitários especiais nos Salões de Exposição.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Apresento ovos que estão REALMENTE caros nessa Páscoa


Na última semana circularam imagens nas redes sociais protestando contra o aumento abusivo no preço de ovos de páscoa, chegando a 6,42% em comparação com o ano passado. A dica muito válida dos internautas é trocar ovos por barras ou bombons. Mas com isso o simbolismo e a graça de trocar ovos na páscoa se perdem. A anos combinei com meus parentes que um bombom tá bom e a intenção é o que vale rs.. Mas lembrando a infância e a caça aos ovos que alegravam a semana santa, questionei em alguns aspectos essa medida.

No embalo, apresento aos leitores ovos que realmente estão caros nesta páscoa:

Justin Tallis/AFP
Para começar, um ovo fossilizado de ave extinta será  leiloado na Christie's, com o valor estimado entre 23,6 mil euros (cerca de R$ 60 mil) e 35,4 mil euros (cerca de R$ 91,5 mil), segundo divulgou nesta quarta-feira (27) a agência americana Associated Press. A ave-elefante também conhecida como vorompatra, em comparação a um ovo de galinha, é 100 vezes maior. Mas nem é achocolatada! Segundo o "New York Times" sua extinção deve ter sido decorrente de ações humanas.

Outros ovinho que aceito como presente nessa páscoa é o Fabergé. Feitos entre 1885 e 1916 por encomenda da Corte Imperial Russa. Na ocasião era costume dos cidadãos presentear os mais próximos com ovos de galinha pintados a mão, comemorando uma semana tão especial para os cristãos ortodoxos quanto o Natal.
Stan Honda/AFP
Diz-se que em 1885 Peter Carl Fabergè, joalheiro das famílias mais ricas da Rússia, recebeu uma encomenda do czar Alexander III, que queria presentear sua mulher, a Imperatriz Marie Fedorovna, com um presente de Páscoa luxuoso. Afinal, os ovos já eram decorados artesanalmente. Estes apenas receberiam "singelos" toques de ostentação tipicamente czariana. Como por exemplo o primeiro dos 50 elaborados por Fabergé, que consistia em uma imitação da casca comum que se abria revelando várias surpresas, camada a camada. As últimas  duas, uma réplica feita em diamante da corroa e um pingente de rubi em forma de ovo estão perdidas ainda pelo mundo não dividindo as salas disputadas de leilões com os 42 exemplares encontrados. Chegaram a ser arrematados por R$ 36 milhões aproximadamente.

Fabergé, após o assassinato da corte e da Revolução Russa em 1917, ficou desaparecido por muitos anos e teve todos os bens confiscados perdendo também o direito de confeccionar peças que levassem seu nome. Hoje suas bisnetas voltaram a tradição que deu renome a família e montaram lojas nas metrópolis mais luxuosas do mundo, caso interesse a algum excêntrico de plantão rs ;}

Mas enfim.., sem negar os 6,42% abusivos de aumento, isso é que é ovo de páscoa caro.


por: Beatriz Albuquerque  






terça-feira, 26 de março de 2013

Imagina sem OSCAR? Imagina sem VFX? Imagina...

Muito divulgadas e compreensíveis até certo ponto, são as críticas negativas ao OSCAR, mas enaltece-lo por questões sólidas não é tão comum. Digo sólidas, porque não é o foco deste texto tecer comentários sobre os vestidos “MARA” das celebridades, nem sobre escândalos "bafônicos" pré e pós festa e muito menos sobre a grandiosidade do evento em si e sua audiência fenomenal. Tópicos que rendem muito, mas são “fluídicos” dentro da solidez da indústria cinematográfica. O ideal não é falar, já falando, sobre as críticas favoritas às premiações: a pequena lista de filmes concorrendo, sem desmerecê-los, que se repete em cada categoria premiada mesmo com uma quantidade muito maior de produções com ‘cara de OSCAR’ rodadas mundo a fora; os filmes ‘Blockbusters’ por si só e é claro a insistência em certos atores e implicância com outros.

O OSCAR 2013 como todo bom e velho, sim velhinho completando 85 anos, gerou polêmica e comoção em torno de temas relativos ao mundo da sétima arte. Quando não é uma crise econômica ou uma questão bélica e política que moldam ligeiramente, ou nem tanto, o teor da premiação. Afinal o mercado está todo conectado, não é por menos que fazer filme é fazer parte de uma indústria, cinematográfica, que como tal precisa de uma gama de serviços das mais diferentes áreas.

O OSCAR é importante por dar legitimidade a produção feita no ano, como um certificado de qualidade que divulga ao público não-cinéfilo o que foi produzido e quem estava participando para tornar isso tudo possível. Mas ele é realmente fundamental como fomentador de lançamentos. Sejam estes relativos às novas tecnologias digitais e de efeitos visuais incríveis ou roteiros fora do comum e atuações e direções bombásticas. O que justifica termos tantos filmes bons que se arriscam e inovam em algum quesito, lançados por volta de dezembro. Mas porque se arriscar? Porque risco e inovação somados a investimento resultam em filmes com “a cara do OSCAR”. Tudo isso é incentivo à sétima arte. Porque sem investimento não tem lançamento.

E por falar em investimento, “Life of Pi” levou muitas estatuetas para casa mas a empresa ‘Rhythm & Hues’ responsável pelos efeitos visuais levou apenas um prejuízo. A polêmica interessante neste ano foi o discurso de Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik-Jan De Boer e Donald R. Elliott, premiados na categoria Efeitos Visuais por “Life of Pi”, cortado logo quando falavam sobre as dificuldades passadas pela empresa. Ser cortado durante o agradecimento é praxe e independe do que se está falando. Mas isso acabou se tornandou um argumento em prol de resultados na crise VFX (visual effects), que aqui no Brasil, fez as imagens de fundo verde ocuparem os perfis das redes sociais.


Analisando o OSCAR o ponto forte foi esse, pois foi o ponto além das maravilhas que sempre acontecem na premiação. Os premiados foram maravilhosos, os concorrentes maravilhosos, o lugar maravilhoso, a audiência maravilhosa, os vestidos “MARA”, e por ai vai como há 85 anos têm sido. Parabéns OSCAR por ser um avô polêmico e maravilhoso até hoje. Agora, imagina sem o OSCAR?

A quem interessar segue o discurso original. Comovente se pensarmos o contexto de toda equipe premiada:

“The irony is not lost on any of us up here that in a film whose central premise is to ask the audience what they believe is real or not real, most of what you see is, well, it’s fake. That’s the magic of visual effects. I want to thank Gil Netter and Elizabeth Gabler and all those at Fox and Fox 2000 for realizing that sometimes it takes a risk to make something special. And LIFE OF PI was a risk worth taking. To our director, Ang Lee, you were an inspiration and you made it an incredible journey for all of us. To David Womark, Mike Malone and Tommy Fisher for making a wave tank that kept us from having to go out to the real ocean and John Kilkenny for inviting all of us to the party in the first place. to my family for all the sacrifices they made, Gabrielle I love you so much, to my children: Christopher, Thomas, Alexander and Samantha thank you for inspiring me every day, my mom and dad thank you for telling me to do any crazy career choice I wanted. Finally, I want to thank all the artists who worked on this film for over a year, including Rhythm & Hues. Sadly Rhythm & Hues is suffering severe financial difficulties right now. I urge you all to remember….”
AAAAAND CUT!              



por: Beatriz Albuquerque